<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-17615286</id><updated>2011-12-03T01:48:44.665-02:00</updated><title type='text'>A educação dos cinco sentidos</title><subtitle type='html'>“A educação dos cinco sentidos é tarefa de toda a história universal até agora”.
Karl Marx, Manuscritos econômicos-filosóficos (1844)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://educincosentidos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://educincosentidos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>10</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17615286.post-116861990898445366</id><published>2007-01-12T14:37:00.000-02:00</published><updated>2007-01-12T14:38:28.996-02:00</updated><title type='text'>Resoluções de Ano Novo</title><content type='html'>Tomei uma resolução de Ano Novo: juntar meus dois blogs (este e meu &lt;a href="http://http://techne-episteme.blogspot.com/"&gt;blog de Ciencia, Tecnologia e Arte&lt;/a&gt;). Assim, terei um blog único no qual coloco tudo, tanto a parte de política e história de ciência e tecnologia, quanto questões culturais que me interessam. Como resultado, este blog é um retrato mais fiel do autor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17615286-116861990898445366?l=educincosentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://educincosentidos.blogspot.com/feeds/116861990898445366/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17615286&amp;postID=116861990898445366' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default/116861990898445366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default/116861990898445366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://educincosentidos.blogspot.com/2007/01/resolues-de-ano-novo.html' title='Resoluções de Ano Novo'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17615286.post-116748695783275331</id><published>2006-12-30T11:33:00.000-02:00</published><updated>2006-12-30T11:58:35.486-02:00</updated><title type='text'>Vozes da Sicilia e a voz da pós-modernidade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6287/1701/1600/711940/bero_voci.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 178px; height: 178px;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6287/1701/320/698727/bero_voci.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Berio: Voci&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Kim Kashkashian (viola), Robyn  Schulkowsky (percussão), RSO Viena, Dennis Russell Davies&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das grandes tendências da música do século XX é o jogo de influências entre o folclore e as construções musicais inovadoras. Para compositores como Bártok, o folclore é a base de inspiração em busca de harmonias não-tonais, e livres de peso da tradição tonal. Neste disco, Berio faz um uso extremamente inteligente do folclore siciliano, incorporando-o em duas composições ("Voci" e "Naturale") que apontam para uma música transcendente, sem compromissos outros que não seu próprio desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua carreira, Berio mostrou-se um mestre da voz num contexto inovoador, como em "Coro", "Sinfonia", "Circles", e na maravilhosa "Sequenza para voz solo". Nestas obras, as vozes são partes do discurso musical, por vezes na expressão coral tradicional (como em "Coro"), e também usando a desconstrução, como na Sequenza. Em "Voci", Berio vai um passo além. Usando temas sicilianos (também apresentados no CD, o que é muito importante para o ouvinte), Berio retransforma-os num concerto para viola. Colocada em grande destaque com relação à orquestra, a viola retrabalha os temas populares, e coloca em oposição à massa orquestral. A oposição solista-orquestra (tão cara à Beethoven) aqui adquire tamb'rm uma dimensão política. O indivíduo (povo) resiste à massificação. Diria um italiano, "muitos já tentaram conquistar a Sicília, que venceu todos os invasores".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A contraposição entre viola, voz popular, e acompanhamento é fascinante. Os cantos populares sicilianos que inspiraram Berio transmitem uma força vital. A escolha da viola como solista é precisa. Seu tom transmite a força do povo somada à tradição intelectual moderna. É como se Berio dissesse: não basta valorizar a tradição e a vontade populares, é preciso usar o conhecimento para expressar essa tradição de forma universal e inovadora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17615286-116748695783275331?l=educincosentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://educincosentidos.blogspot.com/feeds/116748695783275331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17615286&amp;postID=116748695783275331' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default/116748695783275331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default/116748695783275331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://educincosentidos.blogspot.com/2006/12/vozes-da-sicilia-e-voz-da-ps.html' title='Vozes da Sicilia e a voz da pós-modernidade'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17615286.post-116252017987633034</id><published>2006-11-02T22:57:00.000-03:00</published><updated>2006-11-02T23:19:41.553-03:00</updated><title type='text'>Um mantra tibetano para quarteto de cordas</title><content type='html'>Giacinto Scelsi, Quarteto de Cordas no. 4&lt;br /&gt;Quarteto Arditti&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira sensação ao ouvir o Quarteto no.4 de Scelsi é a perplexidade. Sons que parecem vir de um instrumento desconhecido, de um mundo diferente, com uma música circular que gera uma tensão contínua. A princípio, esperamos que a tensão seja resolvida como acontece na música tonal. Mas não. A tensão continua. Quando enfim nos acostumamos, ficamos envolvidos pelo som como num mantra tibetano. Aí começamos a perceber as nuances mínimas dos sons, as pequenas variações e as tensões dentro de cada nota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é para menos. Scelsi, um compositor fora das escolas, concebeu esta peça para um instrumento de 16 cordas. Cada corda de cada instrumento do quarteto é notada separadamente, e o uso de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;scordatura&lt;/span&gt; gera sons absolutamente inesperados. O quarteto é uma peça de dificílima execução, como &lt;a href="http://www.musicaltimes.co.uk/archive/0102/scelsi.html"&gt;relata &lt;/a&gt;o violinista Franco Sciannameo, que foi um dos executores na premiére mundial. O quarteto pede sucessivas audições. Cada vez que ouvimos, aumenta seu poder de transcendência. Uma peça assustadoramente moderna.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17615286-116252017987633034?l=educincosentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://educincosentidos.blogspot.com/feeds/116252017987633034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17615286&amp;postID=116252017987633034' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default/116252017987633034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default/116252017987633034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://educincosentidos.blogspot.com/2006/11/um-mantra-tibetano-para-quarteto-de.html' title='Um mantra tibetano para quarteto de cordas'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17615286.post-116078635579864408</id><published>2006-10-13T21:15:00.000-03:00</published><updated>2006-10-13T21:43:08.530-03:00</updated><title type='text'>Do moderno e do eterno</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/6287/1701/1600/takacs.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 171px; height: 144px;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6287/1701/320/takacs.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Beethoven, Quarteto de cordas opus 131&lt;br /&gt;Quarteto Takacs (Decca)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe de todos os quartetos...A influência decisiva sobre Bartok, Boulez e Boucourechliev&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;..&lt;/span&gt;Uma música que parece vir de uma dimensão distante das categorias tradicionais de classicismo, romantismo e modernismo. Um quarteto com sete movimentos, sendo o corpo central um movimento de tema e variações de quase 15 minutos. Uma análise mais detalhada mostra o quanto Beethoven inovou. Na realidade, o opus 131 é quase um meta-quarteto. Ao invés de começar com um movimento em forma-sonata, que estabelece o tema principal do quarteto, como fizeram Mozart e Haydn antes dele (e tantos outros depois), Beethoven deixa este movimento para o final. E constrói uma estrutura na qual os temas convergem para o final. Ao invés de um final leve, rápido, como é de praxe em Haydn, Beethoven inverte nossas expectativas. Esta virada genial é um experimento vitorioso de Beethoven. Não é absurdo imaginar que, sem o desafio do quarteto 131, compositores contemporâneos como Luigi Nono e Henri Duttileux não teriam a mesma motivação para escrever excelentes quartetos.&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 8, 123);"&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17615286-116078635579864408?l=educincosentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://educincosentidos.blogspot.com/feeds/116078635579864408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17615286&amp;postID=116078635579864408' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default/116078635579864408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default/116078635579864408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://educincosentidos.blogspot.com/2006/10/do-moderno-e-do-eterno.html' title='Do moderno e do eterno'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17615286.post-116068886119197714</id><published>2006-10-12T18:22:00.000-03:00</published><updated>2006-10-12T18:34:21.210-03:00</updated><title type='text'>O mestre Zen da música contemporânea</title><content type='html'>John Cage, "In a Landscape"&lt;br /&gt;Stephen Drury, piano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cage é talvez o mais incompreendido dos músicos contemporâneos. (In)famoso pela sua (não) música 4'33", Cage nada tem de provocador. Ele tem um rigoroso projeto musical de revolucionar nossa escuta, de nos provocar e de ampliar nossos horizontes sobre o que é música. "In a landscape" é um exemplo de música zen, que não parece ter começo ou fim, que fica circulando em nossa mente, e que nos leva a um estado de contemplação extática. Esta semana, estava voltando de Recife e numa viagem de 3 horas, Cage foi meu companheiro para me tirar do avião e levar-me às nuvens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17615286-116068886119197714?l=educincosentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://educincosentidos.blogspot.com/feeds/116068886119197714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17615286&amp;postID=116068886119197714' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default/116068886119197714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default/116068886119197714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://educincosentidos.blogspot.com/2006/10/o-mestre-zen-da-msica-contempornea.html' title='O mestre Zen da música contemporânea'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17615286.post-113486196443923845</id><published>2005-12-17T20:53:00.000-02:00</published><updated>2006-12-30T16:29:09.110-02:00</updated><title type='text'>Boulez: O mestre dos martelos</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pierre Boulez: Sur Incises (Ensemble Intercontemporain)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Controverso mas sempre inovador, Pierre Boulez é talvez a figura central da música contemporânea neste início de século. Em sua peça "Le Marteau sans Maitre" nos anos 50, Boulez rompeu com o serialismo e adota uma forma de composição radicalmente nova, onde busca resgatar a herança da polifonia vocal da Renascença. O resultado é incrivelmente agradavel. Não por acaso Boulez sofreu severas críticas de Luigi Nono que o acusou de usar um pensamento sofisticado para seduzir um público que, no entender de Nono, deveria ser desafiado com o canto da revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sur Incises", obra de 1998, é uma das melhores expressões musicais do pensamento de Boulez. A obra utiliza três pianos, três harpas e três instrumentos de percurssão. Na prática, os três pianos desenham seis fluxos musicais distintos, que oscilam entre um ritmo alucinante e passagens de grande delicadeza. As harpas e as percussões completam as figuras ritmicas e as texturas da obra. Os tres pianos são usados como instrumentos percussivos, onde os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;martelattos&lt;/span&gt; nos pianos sao ecoados pelas harpas e percussoes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O uso do piano como um instrumento de percussão tem muitos antecedentes. O mais notavel é Bartok, em sua "Sonata para Dois Pianos e Percussão". A comparacao da sonata de Bartok com Sur Incises mostra que o mesmo elã criativo (os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;arpeggios&lt;/span&gt; dos pianos em contraste às percussões) gera resultados bem diversos. Enquanto Bartok estabelece uma linha continua desde o começo da obra, onde o encadeamento dos eventos está a serviço de uma macroconcepção, Boulez parece se divertir em nos confundir. A cada instante, "Sur Incises" nos traz uma surpresa sonora. Um mesmo motivo motivo musical aparece e desaparece, sem outra lógica que não um encadeamento com a ação anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Un development intérieur dont le parcours n'est pas prévisible". Este ideal de Boulez é plenamente realizado em Sur Incises, onde o cada som decorre naturalmente do som no instante anterior e é ao mesmo tempo inesperado. "Sur Incises" é o coroamento de uma vida de um inventor radical e uma prova que é possível compor musica inovadora e sedutora ao mesmo tempo. Salut, maitre Boulez!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17615286-113486196443923845?l=educincosentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://educincosentidos.blogspot.com/feeds/113486196443923845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17615286&amp;postID=113486196443923845' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default/113486196443923845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default/113486196443923845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://educincosentidos.blogspot.com/2005/12/boulez-o-mestre-dos-martelos.html' title='Boulez: O mestre dos martelos'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17615286.post-112946155416959356</id><published>2005-10-16T08:46:00.000-02:00</published><updated>2005-10-16T09:19:14.183-02:00</updated><title type='text'>Xenakis: Pode a música estocástica soar agradável aos ouvidos?</title><content type='html'>Xenakis: Pleiades, com Percussões de Estrasburgo (Harmonia Mundi)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música de Iannis Xenakis é única. Com uma formação básica em matemática, ele desenvolveu teorias sobre como aplicar métodos estocásticos na composição musical. Pléïades é uma composição para instrumentos de percussão onde Xenakis aplicou suas teorias com resultados supreendentes.  Ele descreve a peça: "A única fonte para esta composição poliritmica é a idéia de periodicidade, repetição, duplicação, em cópias fiéis, pseudo-fiéis, infiéis...". A concepção de Xenakis é inusitada, mas "Pleiades" é uma peça maravilhosa que pode ser apreciada mesmo sem a percepção consciente das "nuvens, nebulosas e galáxias de batidas fragmentadas organizadas pelo ritmo (Xenakis)".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consciente da demanda em seus ouvintes,  Xenakis arquitetou a peça  em quatro partes: Metaux (for metais), Claviers (percussões de teclado), Peaux (tambores) e Melanges (misture). Cada parte engendra seu próprio mundo sonoro, mais orientado a timbres que a pulsos. Em Metaux, o timbre de cada instrumento é diferenciado por diferentes ritmos. Em Claviers, os instrumentos de teclado produzem sons líricos em ondas. Em Peaux, os tambores sustentam ritmos inusitados, bem diferentes de pulsações fixas típicas de tambores africanos. Mélanges, a parte final, mistura todos estes sons numa cornucópia sonora. Xenakis segue cada batida ritmica por uma batida ligeiramente diferente em duração e timbre. Isto cria uma impressão mais próxima de uma fuga para seis percussões do que uma versão européia de tambores africanos. As mudanças constantes de timbre acontecem de forma controlada, dada a concepção de "clusters de sons". A peça é ao mesmo tempo desafiadora e agradável ao ouvido, e ouvir "Pleiades" é descobrir novos horizontes musicais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17615286-112946155416959356?l=educincosentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://educincosentidos.blogspot.com/feeds/112946155416959356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17615286&amp;postID=112946155416959356' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default/112946155416959356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default/112946155416959356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://educincosentidos.blogspot.com/2005/10/xenakis-pode-msica-estocstica-soar.html' title='Xenakis: Pode a música estocástica soar agradável aos ouvidos?'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17615286.post-112941067735238062</id><published>2005-10-15T18:08:00.000-03:00</published><updated>2005-10-15T18:58:39.086-03:00</updated><title type='text'>O universo etéreo dos quartetos de Bartók</title><content type='html'>Bartók: Quartetos de Cordas, Quarteto Takács (Decca)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das formas tradicionais da música clássica, o quarteto de cordas é a única que permanece um desafio para os compositores. Enquanto sinfonias e concertos hoje tem poucos adeptos nos compositores contemporâneos, escrever um quarteto de cordas continua a ser um desafio para autores como Boulez, Carter, Dutilleux, Ligeti, Rihm, Scelsi, e Xenakis. Para que o quarteto continue a ser um genêro tão praticado no século XXI quanto o foi no século XIX, a contribuição-chave sem dúvida foi a de Béla Bartók. Seus quartetos de cordas representam uma completa renovação. Bartók construiu um universo totalmente particular, capaz de levar a mente do ouvinte para passeios interestelares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouçam o quarteto no. 5. O segundo movimento ("Adagio molto") é uma música lunar, descarnada, etérea. Uma introdução em que o cello sustenta uma viagem feita pelos violinos. Quando menos se espera, estamos flutuando numa outra dimensão, levados por sons inesperados. O violino leva a tensão quase insustentável (como na "Grande Fuga" de Beethoven). A resposta do cello e da viola é uma corda que nos traz de volta à Terra. Como Bartók consegue isto? O segredo de todo grande artista é permitir diferentes interpretações, mas há a visão predominante é que a apropriação da música folclórica da Europa Central permitiu a Bartók libertar-se das harmonias tradicionais da música bem-comportada, mas manter seus quartetos no limiar da compreensão por mortais comuns. O quarteto no. 5 tem cinco movimentos simétricos (allegro-adagio-scherzo-andante-allegro) onde a inspiração folclórica é mais evidente no movimento central ("Scherzo alla bulgarese") e no quinto movimento. Após momentos de extrema tensão, o último movimento é quase um rondó clássico onde às vezes recuperamos um pouco da estética de Beethoven (op. 131). Embora Bartók não deixe de produzir sons inovadores, a introdução de um tema folclórico no meio do movimento representa uma pausa necessária para o ouvinte depois de tanta tensão.  O efeito final é de uma viagem por luas inexploradas, que nos traz de volta à Terra e nos deixa desconcertados de tanta criatividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A interpretação do quarteto Takács, das que conheço (Emerson, Vegh, Linsday, Budapest) é de longe a melhor. Ela mantém o caráter cigano de Bartók, com as ênfases nas horas certas e uma articulação impecável. É preciso estar inteiramente disponível para esta música. Para mim, a melhor experiência foi ouvi-la no meio de uma trilha em Campos do Jordão, depois de jogar muita endofina no cérebro em uma longa subida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17615286-112941067735238062?l=educincosentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://educincosentidos.blogspot.com/feeds/112941067735238062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17615286&amp;postID=112941067735238062' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default/112941067735238062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default/112941067735238062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://educincosentidos.blogspot.com/2005/10/o-universo-etreo-dos-quartetos-de.html' title='O universo etéreo dos quartetos de Bartók'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17615286.post-112908186539561990</id><published>2005-10-11T22:25:00.000-03:00</published><updated>2005-10-12T11:02:55.556-03:00</updated><title type='text'>A atualidade de Mahler</title><content type='html'>A Canção da Terra, Ludwig/Wunderlich/Klemperer (EMI)&lt;br /&gt;A Canção da Terra, Ferrier/Patzak/Walter (Decca)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque será que, em nosso século XXI tão desencarnado, a música de Gustav Mahler parece cada vez mais atual? Já se disse que a depressão é a doença deste século. O deprimido (como eu) é simplesmente alguém que parou de ter grandes ilusões. Ao ouvir Beethoven ou Mozart, somos levados a um estado de alegria incontida que momentaneamente nos faz crer num mundo ideal. Ao ouvir Boulez ou Nono, ainda continuamos pensando na música do futuro. Mas ao ouvir Mahler, não há como não enfrentar a si mesmo. Principalmente em sua fase final, com as sinfonias 6a., 7a., e 9a., Malher nos obriga a refletir. Não parece haver escape da realidade. Somos levados ao ponto zero, de onde teremos de sair sozinhos. Não há como ficar indiferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que dizer desta "Canção da Terra"? Canto de despedida que confia na força renovadora da humanidade. Após o "Erwig..." (eternamente) final, percebemos como Mahler é atual. Ao fazer de um tremendo desespero pessoal uma mensagem de renovação, Mahler desnuda o ouvinte, e o faz mais consciente ainda que cada um de nós pode, à sua maneira, escapar da depressão do cotidiano. A consciência do efêmero é a única forma de sobreviver no século 21 e manter a sanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas gravações de referência (Walter e Klemperer) são de deixar qualquer mortal aliviado de tanta dor. Não há sentido falar em "melhor" neste caso. A cada dia, uma delas é mais adequada. Hoje, foi estonteante ouvir Christa Ludwig na leitura de Klemperer. Quem sabe outro dia não conseguirei nem passar da primeira música (o que ja me aconteceu muito). Mas é por isto que Mahler é atual....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17615286-112908186539561990?l=educincosentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://educincosentidos.blogspot.com/feeds/112908186539561990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17615286&amp;postID=112908186539561990' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default/112908186539561990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default/112908186539561990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://educincosentidos.blogspot.com/2005/10/atualidade-de-mahler.html' title='A atualidade de Mahler'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17615286.post-112881788886400979</id><published>2005-10-09T00:28:00.000-03:00</published><updated>2005-10-12T11:01:10.666-03:00</updated><title type='text'>Berio: Estranheza e Invenção</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Luciano Berio – Sequenzas (completas)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="FR"&gt;Ensemble Intercontemporain – DG 457 038-02 (3 CDs)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;De todas as formas de arte de seu tempo (cinema, teatro, literatura, artes plásticas) certamente a música de hoje é a mais segregada e menos compreendida. Negligenciada e desconhecida do público, a música de concerto contemporânea sobrevive em nichos de mercado, restrita a seguidores fiéis com hábitos de seita. Porquê? Talvez pelo fato das formas musicais serem mais exigentes aos sentidos, e também pela overdose de sons em nosso dia-a-dia.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;O ouvinte de hoje tem à sua disposição uma variedade inédita na história da humanidade; numa boa loja de discos, pode-se comprar desde Hildegarda de Bingen (século XI) até músicas do Tibete e do Irã. Distante de todas estas correntes, a melhor música contemporânea está encontrando um espaço próprio de inovação, criatividade e diversidade, e compositores como Boulez, Duttilleux, Ligeti, Carter impedem que nosso ouvido se acostume à linguagem bem-comportada dos sons-ambiente. Neste quadro, dos bons discos lançados nos últimos anos, um merece destaque particular: as &lt;i&gt;Sequenzas &lt;/i&gt;de Luciano Berio. Quatorze obras para instrumentos solistas (inclusive a voz), que exploram as diferentes possibilidades harmônicas e expressivas de cada instrumento, e buscam o mesmo impossível que Bach almejava em suas suítes para violino e violoncelo solo: uma escuta polifônica, sugerida pela intensa virtuosidade das peças. Esta gravação, lançada em 2000, é um tributo à invenção e à capacidade de criação da música atual, ajudada por excelentes interpretações. Como disse a crítica inglesa: &lt;i&gt;Listen, and be astonished. &lt;/i&gt;Depois de ouvi-las, até Mozart tem outro gosto....&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17615286-112881788886400979?l=educincosentidos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://educincosentidos.blogspot.com/feeds/112881788886400979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17615286&amp;postID=112881788886400979' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default/112881788886400979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17615286/posts/default/112881788886400979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://educincosentidos.blogspot.com/2005/10/berio-estranheza-e-inveno.html' title='Berio: Estranheza e Invenção'/><author><name>Gilberto Câmara</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15053936463029723310</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://www.dpi.inpe.br/gilberto/blog/gilberto.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
